Mostrando postagens com marcador poema moderno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema moderno. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de março de 2015

Astrolábio

E mesmo que troquem os astrolábios por satélites
Mesmo que as bússolas se tornem GPS´s
Que o seu astro seja sempre o meu lábio
Decifrando a geografia da sua pele
Como nau que não teme os mistérios do mar
E navega sem medo de naufragar
Apenas enxerga a boa nova de sua terra
Mamilos, umbigo, pernas e céu
Gotas de eternidade em meu paladar
Belezas de sal que desviam o escarcéu de viver
E acordam a precisão de navegar.

Edilberto Vilanova

quinta-feira, 29 de julho de 2010

As pedras do novo tempo (Versos para um tempo de meninos fendidos)

A Drummond

Caro Carlos
No espaço secular que nos separa
Deu-se a antimágica,
Apoética semântica,
E deslapidaram-se as pedras do meu tempo
Tempo de palpáveis pedras despidas de abstração
Endurecidas pela feiura de um púbere século
De meninos emuralhados
Alimentando internos cães famintos
De dez em dez minutos
Que erigem, no espaço outrora peito, novas Hiroximas
Irradiando a cancerígena escassez de espírito
A rosa do meu povo fenece.
E a aridez de uma nova raça promove o auto-holocausto
Um estado novo de meninos encanecidos.
Ensandecidos.
Incandescidos.

Tempo gauche
Em que os homens entortam anjos

Vivaldo Simão