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terça-feira, 4 de junho de 2013

Arpejo

não me acordes com doces acordes
acorde-me para trabalhar,
para suar e me exaurir.
não me faças sonhar acordado
anestesiado sou menos cauteloso
deixa que eu delire apenas nos teus braços
do momento do amor
mas antes quero a realidade
quero estar cansado ao fim do dia
e com dor de cabeça
quero me preocupar e pagar as contas.

só assim nossa casa
poderá ser edificada sobre a rocha.


Rogério Freitas.

Finis hominis



o Co2, o tédio, o cansaço,  o vício
os estragos de um amor mal resolvido
o custo de vida, a baixa renda, o nepotismo vitalício
o freio falho, a lei de Murphy, o transeunte distraído
o emprego maçante, o engarrafamento,
um salto da janela do apartamento
e tantos outros crimes sem perdão
nos apartam da eternidade,
esse nosso anseio esquivo e alado
finis hominis est necessariam malum
está consumado

Vivaldo Simão

Grávido

sai de mim
como fruto
sêmen semente
sol nascente,
que me oriente
meu acidente vital
sal de mim
que me dá sabor
me tempere
paz de intempérie que esvanece
meu pretérito futuro
que o agora tece
pedaço do meu pai
e do filho do meu filho
som que sai de mim,
do meu sangue
meu estribilho
acorde que me adormece
das dores de parto do mundo
cantiga de ninar teu pai.

Vivaldo Simão